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Adren e Athro

setembro 20, 2008

 

Ele lembra o nascer do sol… Sunrise.

 

Meu aprendiz chamado Adler, tudo começou naquela cidadela das montanhas.

Já não me recordo bem o nome, mas foi exatamente ali que conheci o Garou Lupino. Ainda criança, ele sabia que não era parecido com os outros lobos, mas não sabia exatamente por que. E lá fui eu, mostrar a ele que o sangue que corria em suas veias era o de um Lupino, filho de uma mãe loba e pai Garou.

 

Mas ele apenas compreendeu tudo isso no momento da Primeira Mudança. Quando ele sentiu aquela presença demoníaca que até mesmo a Wyrm temeria, o ser que _ dizem os meus antigos amigos de seita _ é alienígena proveniente de outra dimensão, o Rastejante Nexus.

 

 Não conseguimos ver ele adentrar ao local, simplesmente um vento e uma sensação de morte invadiu o ambiente e “levou” todos dali. Foi algo rápido e inexplicável, todos os humanos e lobos morreram instantaneamente. É como se a alma deles tivesse sido carregada para longe com aquela brisa demoníaca.

 

Adler se transmutou para a forma Crinos, a forma da Besta Garou, e fui eu quem o parei antes que se matasse tentando lutar contra o Rastejante que aos poucos desapareceu dali. Sua intenção? Eu jamais soube. Sabia apenas a intenção de Adler quando ele acordou após a Mudança e percebeu que seu destino era compreender aquele ataque, compreender tudo sobre os Rastejantes Nexus.

 

Ele viajou ao meu lado enquanto lhe ensinei tudo o que podia a respeito de nós. Ele se mostrou o adren _ pupilo _ mais dedicado de todos os demais e destacou-se com seu enorme poder de Lupino e incrível espírito apesar do fato que acontecera no passado.

 

Mas algo mudou…

 

No dia em que deixei Adler cuidar do antigo Caern localizado abaixo de uma taverna e fui atrás de um antigo companheiro de lutas chamado Alucard ele foi “enfeitiçado” pela mesma maldição que assolaram meus pais… a Traição da Litania.

 

Adler se apaixonou e teve um romance com Rose, uma Garou ronin. Ele traiu o código dos Lobisomems e se procriou com a fêmea gerando assim um Impuro. Na verdade, duas Impuras gêmeas : Alexia e Alyssa.

 

Nesse momento Adler cavou sua sepultura assim como fez meu pai no passado. Suas filhas e parceira acabaram sendo executadas e ele viveu desde então perdido pelo mundo como um Andarilho sem qualquer tipo de intuito e propósito. Esqueceu de sua busca, de sua tribo, de sua seita, abandonou a Gaia e amaldiçoou o seu destino.

 

Hoje eu não sei aonde ele está nem com quem está. De qualquer forma, espero que tenha encontrado o seu paraíso, que esteja com suas duas filhas e sua mulher naquele lugar, onde nada irá interromper que todos eles vejam…

 

O Nascer do Sol  denovo…

 

Adeus… Sunrise.

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Heróis

setembro 6, 2008

Depois do último golpe desferido, as últimas gotas de sangue caíram sobre o solo junto com o corpo sem vida da enorme criatura. O estremecer do chão anunciou o fim da luta entre aquelas duas feras.

 

Aos poucos o corpo da besta que permanecia em pé perdia o tamanho e os pelos que cobriam seu corpo davam lugar a vestimentas nórdicas: blusa azulada, calças negras, botas de guerra, um pendante no pescoço e para finalizar uma capa branca cobrindo a metade esquerda do guerreiro.

 

_ Pode sair…

 

A voz soou firme e forte por parte daquele que era chamado de…

 

_ Warlike! Warlike! _ Uma garotinha saia de uma caverna saltitante e com um grande sorriso nos lábios. _ Obrigada! Muito obrigada meu herói Warlike!

 

_ Pare criança. _ O homem de costas para a pequenina virou levemente a cabeça mostrando por detrás de seus longos cabelos prateados a cicatriz feroz que lhe cortava o olho. _ Eu não sou um herói…

 

_ Claro que é! Matou aquela criatura! _ A criança o retrucava com uma cara emburrada.

 

_ Heróis não deixam ninguém morrer…_ Levantou a cabeça após a frase concluindo com um olhar que expressava um sentimento de saudades. _ Não é Adler?

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Favoritos

agosto 20, 2008

 

 

_ Os ninhos da Wyrm, lacrar você deseja lobo bélico?

 

_ Sim Fauno, depois de tantos anos, eu tenho certeza que é possível.

 

_ Possível?

 

_ Deter o Apocalipse.

 

O lobo estava sobre uma taverna deliciando a luz da grande lua.  Seus pelos brancos e prateados esvoaçavam a favor do vento em um ambiente exuberante e único. Com seu único olho fechado, ele conseguia ouvir aquela melodia da noite, como se anjos cantassem um réquiem apenas para ele, apenas para os seus ouvidos.

 

_ Tanto tempo sem ninguém por aqui. Não é a toa que o local foi empestado, uma falha minha em acreditar que os outros fossem capazes de protegerem essa velha taverna. Na verdade, não vai existir alguém capaz de entender o significado de “guardião” como “nós” entendíamos há tantos anos atrás.

 

_ Lobo Bélico?

 

_ Fauno? _ Sem abrir o olho ou se levantar de seu descanso o lobo apenas levanta as orelhas como se a comunicação telepática influencia-se em seus ouvidos.

 

_ Mais um poço da Wyrm sentir eu posso. Ser rápido para interceptá-los você deve.

 

_ E do que estamos falando dessa vez?

 

_ Andarilhos da Noite…

 

_ Ora… _ Finalmente o lupino abria seu olho que brilhava o verde de uma esmeralda. _ Os meus favoritos.

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O velho “gagá”.

agosto 16, 2008

 

_ Uma espécie de Necromante, foi isso que o Fauno relatou… Mas não foi bem assim.

 

_ Mortos voltando à vida. Andarilhos sem alma caminhando pelos bosques. Isso não é tão anormal quanto à maioria dos humanos pensam. Aliás, me pergunto às vezes se realmente eles acham isso anormal nos tempos de Apocalipse que vivemos.

 

_ Eu pude sentir desde o início a presença dela. Uma pessoa do meu passado, aquele mesmo passado que eu abandonei há muito tempo, que permaneceu congelado em meu coração negro. Fomos companheiros durante um período que não consigo recordar ao certo. Nem mesmo como a conheci tão pouco como tudo acabou.

 

_ Devolver a vida aos mortos… Isso seria uma boa ação realmente, mas não é bem assim que “trabalham” os Ritualistas. Pelo que entendo, eles brincam com os corpos sem almas daqueles que se foram, devolvendo partes dos sentidos primitivos da criatura, em outras palavras, a “brincadeira” pode virar uma carnificina e até mesmo perturbar o outro lado da Película, a Umbra.

 

_ A presença dela nem sempre foi essa. Lembro que o aroma era diferente, um perfume de violetas, sim, me lembro do cheiro, lembro como as mãos dela guiavam-me quando esse único olho falhou e me deixou no escuro absoluto.

 

_ Como ela mudou? Não me recordo, só sei que o aroma não é o mesmo. Me lembra algo como o cair da noite sem a luz da Lua. Um corpo sem alma, o físico sem o espírito, a violeta sem o perfume.

 

_ Por que não a impedi? …

 

_ Talvez porque, lá no fundo, ainda pude ver aquela que me ajudou tanto, que me acompanhou por todos os lados e que fez de mim uma pessoa melhor mostrando o que um sentimento puro pode fazer.

 

_ Ou é claro, simplesmente eu esteja me tornando um velho fraco!

 

A garota não pode se conter e soltou uma gargalhada que ecoou por toda aquela espécie de casa na árvore, era um ninho enorme no topo de uma laranjeira colossal, assim como toda a vegetação daquele local sagrado.

 

_ Hahahaha _ Recuperava-se dos risos _ Mas afinal, você não me disse o nome dela.

 

_ Assim como aquela que nos abençoa todos os dias com os Augúrios…

 

_ Luna.

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Valkyrie Cry

agosto 7, 2008

 

Pouco me lembro de tudo que ocorreu na terra mitológica.

 

Sobre o teto de Valaskjalf – O castelo do Deus Superior – permanecia amarrado pelos braços de joelhos e com a cabeça pensa enquanto minhas forças eram esvaziadas. Meus reflexos foram perdendo a força e aos poucos minha Gnose foi desaparecendo gradativamente. Em pouco tempo não era capaz nem mesmo de sentir a presença de alguém adentrando aquele salão.

 

Nomes eram proclamados, nomes daqueles que eu conheci há muito tempo. A escuridão me confundia de certa forma, era como se eu voltasse ao estado de solidão e amargura que vivi há muito tempo atrás. Por algum motivo, uma mulher se aproximava de tempos em tempos para verificar se eu ainda estava respirando, curioso ou não, ela aparentava ser amigável, o modo como se aproximava e o perfume que exalava me trazia paz.

 

Não sei exatamente quanto tempo se passou, mas me recordo que aquela sensação de ser aprisionado no esquife de gelo no mesmo local há tempos atrás estava voltando. O frio era incrível e os ferimentos pareciam não cicatrizar, minhas forças eram escassas e a luz da Lua não conseguia ultrapassar as paredes rústicas do local, nem mesmo meu augúrio seria capaz de me dar energia.

 

Um a um, vi meus companheiros caírem. Os lobos de minha alcatéia que me ajudaram durante tanto tempo: Geri, Freki, Hati, Skull e por fim, Fenrir. Um homem em uma armadura branca sob um manto negro degolava-os de forma rápida e digna de “honra” segundo as palavras das guerreiras ao lado dele.

 

Uivos penetravam em meus tímpanos enquanto podia sentir o coração dos lobos parando gradativamente à medida que seus corpos percebiam a presença da morte. O que poderia fazer ali? Nada, a impotência tomou conta de mim e percebi que apesar de tudo que Gaia me forneceu, eu jamais seria capaz de impedir cenas como aquela.

 

Após meses, talvez anos, finalmente alguém surgiu, mas não foi nenhum amigo. Era ele, aquele que possui Mil Faces. A Praga dos Garou – foi assim que o homem de armadura branca o chamava – a outra metade do quebra-cabeça. Ele cortou as correntes que me aprisionavam e um impulso tomou conta de meu corpo, a Fúria, depois de tantos dias naquele inferno de gelo, não pude conter a Besta que existe dentro de todos nós.

 

Quando voltei à consciência, era tarde. O Ragnarok já havia ocorrido, todo o mundo dos deuses nórdicos estava em ruínas. Gritei em busca de alguém, mas não obtive respostas. Ninguém, simplesmente não havia ninguém ali, mais uma vez a solidão tomou conta e agora não havia ninguém para verificar minha respiração.

 

Aos poucos fui me rastejando até o Portal da Lua que brilhava esperando a minha entrada, pelo que tudo parecia alguém havia deixado ele aberto. Quando consegui chegar mais próximo, uma mensagem havia sido gravada em uma rocha:

“Obrigado Athro.”

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Prólogo

agosto 5, 2008

 

_Tantos dias, semanas, meses, anos.

 

_Os ferimentos sofridos durante a última luta já não ardem como antes.

 

_As cicatrizes permanecerão, assim como o peso que carrego em minhas costas, o fardo que levarei até terminar aquilo que comecei.

 

A lua estava brilhante no centro do céu, formava uma cúpula branca em meio ao “mar” negro das nuvens. Ahroun, o augúrio dos guerreiros cintilava esbanjando sua benção para aqueles que seguiram os seus ensinamentos.

 

_ Depois de tanto tempo fica difícil esperar algo daqueles que um dia me ajudaram.

 

_ Amizade, companheirismo, amor. Sentimentos que fazem qualquer um seguir em frente, demorei em aprendê-los, e agora? Do que podem me ajudar?

 

_ Talvez fosse isso que me deixou vivo até agora, talvez alguém em algum lugar ainda lembre-se de mim, nem que seja uma imagem apagada ou borrada em meio as suas memórias, mas que transmita de alguma forma o que eu sinto agora… Saudades. 

 

Um assobio se espalhou entre as frestas dos troncos colossais daquelas árvores mágicas. Era o chamado para o recolher. Aos poucos dezenas de criaturas passavam entre Warlike e seu pergaminho que já estava repleto de memórias, desde pequenos Gnomos até grandes Faunos, todos seguiam para dentro das grutas enquanto uma voz chamava amigavelmente aquele já cansado mediador:

 

_ Vamos Warlike!

 

_ Sim, já vou Awen.

 

Mas ainda assim, algo o deixava inquieto quem sabe alguém que ele tanto admirava e que talvez não tivesse a mesma “sorte”.

 

_ Adler, você encontrou o seu final em tudo isso?

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